E agora, tão repentinamente quanto acabou ele voltou para ela. Era como se nada tivesse acontecido, como se os anos que se passaram tivessem evaporado. Por que ele tinha vindo atrás dela? Por que ele achava que tinha esse direito, logo depois que ela já o tinha esquecido? Agora, já não era mais tão ingênua como quando namoraram. Tinha deixado de ser uma adolescente boba, aprendera a malícia mundana, tornara-se uma mulher. E, por mais que tivesse mudado, havia ainda uma parte do seu coração que doía e que ainda o amava. Ressentimentos? Tinha-os, mas também agradecia por tudo ter acontecido como tinha sido; se não fosse por isso, não saberia lidar consigo mesma, não teria aprendido tanto, nem esfriado.
Sabia que ele queria voltar para ela porque sentia-se só. Sabia que ele sentia uma dor tremenda no seu coração por causa de uma outra garota e que só agora conseguia compreender, um pouco, o que ela tinha passado. Sabia que ele era carente, mais do que antes, e que só o que queria era uma namorada que o amasse; e, no momento, ele relembrava-se dos seus bons momentos com a única namorada que tivera: ela. Sabia disso. E sentia-se ainda menos amada por sabê-lo. Ele dizia, repetidamente, que adorava-a, que a amava, que queria voltar a ser o que eram; ela nada dizia, fazia de conta que sequer tinha ouvido. Isso deixava-a indiferente. Havia algo dentro de si que queria abraçá-lo, sentir seu calor com o seu, o seu perfume e o toque dos lábios; era um impulso, somente, e ela o continha. Era desnecessário demonstrar a sua sensibilidade em relação a ele.
Tinha-o como um bom amigo, gostava de conversar com ele, de vagar pelas ruas de alguma cidade jogando papo furado, de beber um café no Starbucks, de estar com ele. Não querer voltar ao passado não era uma atitude por maldade, mas porque simplesmente não queria. O tempo já tinha passado, ela já não era só mais uma adolescente; e ele permanecia o mesmo, exatamente o mesmo: o corte de cabelo, a voz, a atitude, o jeito, o perfume, as idéias, seus costumes, nada mudou.
Na verdade, era uma ressentida tola, mesmo. O maior dos seus motivos para não retomar o namoro era o de que ele a fizera sofrer. Por ter aparecido como a uma surpresa, por tê-la feito amá-lo, por tê-la amado, por tê-la deixado sem dizer um porquê, por ser imprevisível, por ser único, por voltar inesperadamente, por causar um encanto semelhante à da vez anterior e despertar a adolescente dentro de si. Valeria a pena amá-lo novamente?… Não. Ele era o seu cometa Halley, mas, dessa vez, ela decidiu perder o show.
Setembro.