Às vezes olho pela janela do apartamento e perco-me no céu cinzento da metrópole. Não há pássaros, não há azul, não há nada; nada além de saturação. Os primeiros raios da manhã despontam e refletem nos prédios brancos. Observo em silêncio. Meus olhos, sonolentos e sensíveis, são ofuscados pela claridade. Vejo alguns vultos se movendo nas janelas, a água das piscinas do último andar movendo-se, os carros apressados parecendo baratas assustadas. Tão patéticos e nojentos quanto elas. O som dos motores e da poluição sem fim é tudo o que ouço. Que falta sinto de casa… Lá não tinha falta de ar. Lá o céu era límpido. Lá as nuvens eram brancas. Lá ouvia-se o som dos animais e insetos que escarafunchavam, sôfregos, o chão em busca de alimento. Lá eu tinha a certeza de que encontraria o que procuro. Lá eu sabia que havia alguém comigo.
Sinto-me só, mais do que nunca. E não é uma solidão saudável, uma sensação de independência; é de abandono, inexistência, de… Nada. Essa cidade me deixa com raiva, irada, com uma fúria interna maior do que posso extravasar. Quero ir embora.
É a primeira vez venho aqui e gostei do que li. Achei que você escreve de um jeito bonito.
Gostaria apenas de lhe alertar que vi alguns problemas de pontuação, virgulas que não deveriam existir… Peço que não se ofenda com a observação, somente a fiz por ser grata a quem já fez isso por mim.