Da Consciência.

A palavra consciência vem do latim conscientia: conhecimento de algo partilhado com alguém. Tem o sentido da percepção do eu por si mesmo; o sentido do Conhecimento como sujeito; e/ou o sentido do Eu interior.

De forma mais objetiva e concisa, pode-se afirmar que a consciência é uma qualidade da mente, abrangendo a subjetividade, autoconsciência e a capacidade de perceber a relação entre si e o outro.

Hã?

Publicado em: às 07/01/2012 em 03:27  Comentários (1)  

Conheço as ruas por onde caminho, sei de cor e salteado os endereços de lugares que gosto, sei andar de metrô, aprendi a ter medo de andar sozinha. Conheço os prédios, os sons, a movimentação e os horários de pico. Sei onde a comida é boa, sei onde a comida é barata, onde posso pechinchar e onde não devo entrar. Habituei-me à cidade, acostumei-me às pessoas pouco simpáticas e distraídas. Meus constantes choques com circunstâncias extraordinárias diminuíram, perdi muito da ingenuidade que a vida no interior manteve até recentemente dentro de mim. Conheci a multidão, o empurra empurra, e entendi, finalmente, a adoração dos paulistas em relação ao mato. O mato é ótimo. Silencioso, sereno, tem um aroma sem cheiro. Lá você se ouve, você se sente, a sensação de humanidade está presente em cada parte do seu corpo. Em meio a solidão você se encontra. Na cidade grande, a solidão nos apavora e devora, um pouco de cada vez. Finge não existir, disfarçada nas milhões de pessoas que circulam pela cidade; seu silêncio é desesperador. Eu sinto falta do mato. Eu sinto falta de casa.

Todos os dias, ao acordar, penso na minha casa. Como estará? Sentem a minha falta? Do meu mau humor pela manhã, dos gritos com os cães e com os afagos na cabeça? E dos meus doces e bolos, minhas neuroses e meu cantarolar no banho? Sentem a falta do meu barulho, será? Eu sinto a falta, do ambiente, das pessoas e de quem sou quando lá estou. Não me sinto mais como uma estranha por aqui, mas não me sinto à vontade. Alguma coisa está errada, sempre está, mas não sei ao certo o quê. A falta da Felicidade, talvez. Choro de saudade pelos cantos, pensando na minha mãe e na minha irmã, duas das pouquíssimas pessoas com quem realmente tenho intimidade. Não conversava sobre quase nada mais pessoal com elas, mas sobre todo o resto. Tenho saudade das noites assistindo seriados, de fazer o almoço juntas, de andar de carro e a pé conversando sobre o tempo. Eram banalidades, mas me fazem tanta falta!… Já deveria ter me acostumado, mas não consegui. Eu sinto, é inevitável. Osho diz que devemos praticar o desapego, mas eu não consigo, não quero, preciso disso. Se não fosse isso, já teria morrido meses atrás.

Sinto a falta do som de casa, do cheiro, da sensação, do chão gelado, do barulho à noite. Antes, eram gafanhotos e cães. Hoje, são carros, aviões e dois milhões de pessoas. Eu gostava da solidão quando morava por lá. Podia ficar reclusa quando quisesse, durante o tempo que quisesse; mas sabia que, quando precisasse de companhia, era só ir até a sala onde minha mãe trabalhava e minha irmã estudava para ter companhia novamente: era uma solidão facultativa, digamos assim. Aqui, não tenho nada. tenho a mim, mas perdi-me. Não tenho certeza se quero me encontrar, pelo menos não por enquanto. Preciso amadurecer e me aceitar de volta. Porém, mal me aguento, sou chata demais.

Não raro converso comigo mesma. Quando brigo comigo, mal me olho no espelho. Fico dias sem me olhar, saindo de casa com os cabelos desgrenhados e com pasta de dente na bochecha. Faço as pazes, volto a pentear os cabelos e a ficar asseada; aí brigo novamente porque não tenho Tempo para me arrumar de manhã e fico chateada comigo, sinto a minha falta e fico novamente sem falar comigo. Briguinhas banais, mas que fazem parte. Tenho a mim, converso comigo, brigo comigo, choro comigo; tornei-me mais egocêntrica, mais séria e mais chata, acho. Não é um problema tão grande, mas chega uma hora que não aguento mais ouvir a minha voz. Aí ficamos, eu e eu, num regime de silêncio, quebrado pelo som da Cidade. De vez em quando ouço o eco de um pensamento, mas antes que eu o pense novamente ele escapa da minha voz e o perco.

Faço o que posso para sentir-me bem. Às vezes o sorriso desvanece do meu rosto e só percebo quando olham para mim com um ar preocupado, pedindo por um sorriso. Esqueço de sorrir, não sempre; quando esqueço, trato de sorrir rapidinho com a maior alegria que me for possível sentir ou, pelo menos, forjar. Confesso, porém, que tou me cansando disso.

Ah, sei lá. Gostaria de escrever mais, mas agora não quero. Boa noite.

Publicado em: às 02/11/2011 em 03:55  Deixe um comentário  

Bilhete a D

D,

Obrigada. Se não fosse por você, acho que a M teria sucumbido ao terror. Eu a observo todos os dias e percebo o quanto as coisas têm sido um bocado difíceis: sua saúde tem vacilado, seu humor está instável, seus extremos mais alcançáveis. À noite, ouço-a remexer seu corpo na cama, insone, murmurando fórmulas e teorias entre soluços e risadas histéricas. Não sei o que ela tem, mas ela repete o seu nome antes de a casa silenciar e é a primeira coisa que ela diz quando se levanta. Quando parece desanimada, menciono você e vejo uma nítida diferença na sua postura: ela endireita os ombros e arruma-se rapidamente para sair logo de casa e encontrá-lo.

Eu tento melhorar o astral da minha menina, mas não consigo. Quando ela chega à noite, diz não sentir fome e tranca-se logo no quarto, não saindo dele até a manhã seguinte. Faço alguns bolinhos de arroz para ela e a garota anima-se em levá-los para comer com você, e é só isso que consigo fazê-la comer. Contou-me que você tem levado bolo para ela, retribuindo os bolinhos. Hoje, fofocou que você levou shimeji para ela, é verdade? Disse que estava uma delícia e pediu-me para fazer para ela.

E as rosas, e quando você dá rosas para ela? Seus olhos brilham e ela as desembala com esmero, corta a ponta e faz aquela misturinha de água com açúcar para elas continuarem bonitas por mais tempo. Ela fica triste quando elas murcham, mas diz que elas permanecem ali embora eu não veja. Eu não entendo e ela não explica, por mais que eu peça; apenas sorri e volta para o quarto. Isso sem contar as balinhas, bombonzinhos, isso e aquilo, mimos que a deixam feliz e levitando, sonhadora, enquanto ouve Bach. Aliás, a moça não para de ouvir a mesma música, todos os dias: Cello Suite No 1 Prelude. Comentou algo com você?

Uma coisa que notei é que ela tem estado um pouco… Instável, emocionalmente falando. Às vezes, olha para os meus olhos e vejo seus olhos se enchendo de lágrimas. “É amor… Não há felicidade maior do que sentir-se assim”, diz, sorri e começa a recitar regras gramaticais novamente, enquanto os seus olhos secam. Às vezes ela pára e fica observando o céu. Diz ver o sol nascer, mesmo quando ele está alto; e fica com uma expressão indecifrável, mas notavelmente feliz. eu não entendo e cansei de tentar.

Outras coisas têm acontecido, mas não contarei todas; deixo as mais interessantes para quando vier tomar um café conosco!

Obrigada, meu querido, de verdade. Por ser tão presente na vida dela, por fazer tanta diferença, por ser tão amigo e tão carinhoso. Espero que ela seja atenciosa com você da mesma maneira.

Um abraço, P.

Obs: mande um beijo para a sua mãe por mim!

Publicado em: às 23/09/2011 em 03:35  Deixe um comentário  

Quando até nas palavras escritas eu travo para explanar,

quer dizer que tem alguma coisa realmente errada.

Publicado em: às 15/05/2011 em 17:27  Comentários (1)  

O Amor, de novo.

Amamos mais o objeto amado ou o simples fato de estarmos amando? Aliás, o que é amar, afinal? Por que sentimo-nos tão bem por estarmos amando? Realmente nos sentimos assim ou sentimos isso por pensarmos que, pelo fato de estarmos amando, devemos assim nos sentir? E se nos sentirmos mal por estarmos amando? Devemos nos sentir mal por nos sentirmos mal por estarmos amando e, assim, desencadear uma série de sentimentos ruins e tristes pelo simples remorso e/ou mal estar em relação a si mesmo, o objeto amado ou alguma outra pessoa? Eu não sei, sinceramente.

Você deve estar se perguntando: “mas por que alguém se sentiria mal por estar amando?”. É automático nos sentirmos subjetivamente bem e vermos o céu mais azul, as cores mais vibrantes e não repararmos no mau humor das pessoas dentro do metrô lotado pela manhã ou pela noite quando estamos amando. O fato de amarmos, algo, alguém ou alguma causa muda o nosso foco das coisas ruins e vemos apenas as coisas boas à nossa volta. (É engraçado como as pessoas são extremistas: ora estão revoltadas com o mundo, ora tudo as deixa tristes, ora tudo parece cheio de glitter, ora tudo parece monocromático, nunca num meio termo.) Porém, estar amando alguém pode nos ser doloroso, seja porque não somos correspondidos, seja porque estamos inseridos num triângulo amoroso, seja porque não temos tempo para cultivar o Amor, seja porque nos frustramos nele, seja porque pensamos estar frustrando o outro, seja qualquer outro motivo. Razões existem aos borbotões, você é que nunca parou para pensar nisso.

Quando amamos, tendemos a perder a noção do mundo e dos outros, concentramo-nos no nosso umbiguinho e no objeto amado apenas, ficamos egoístas e sem noção. Isso é um perigo, porque a tendência é a alienação. Às vezes, as pessoas amam-se tanto que perdem a própria individualidade e uma começa a viver a vida da outra. Não que duas pessoas que se amam não acabem vivendo juntas momentos felizes e não tão felizes, compartilhando uma vida inteira; porém, a individualidade de cada uma deve ser sempre mantida, não se pode abrir mão de quem se é por causa da outra, propositalmente ou não.

O Amor também torna as pessoas mais empáticas e altruístas. Quando se ama alguém (ou uma causa filantrópica que atinge outras pessoas), a pessoa sente-se feliz ao saber que a(s) outra(s) também está(ão) feliz(es). A pessoa quer fazer de tudo para manter a amada feliz para sentir-se feliz. É uma relação interesseira, em outros termos, pois queremos fazer o outro feliz porque isso assim nos faz. E isso torna tudo mais bonito, porque mostra que o mundo pode ser um lugar melhor, realmente, se darmos lugar ao Amor por ele. O mundo utópico não é tão impossível, afinal. Talvez não seja tão utópico assim. Devemos colocar um pouco de confiança nessa causa e trabalhar em cima dela, ficar em cima do muro em meio às críticas e negatividade não ajuda em nada.

Desde criança pergunto-me o que é o Amor. Para ser honesta, desde o meu primeiro cartão de Dia das Mães da escolinha, no qual todas nós escrevíamos com a melhor caligrafia que podíamos: “Mãe, eu te amo”. Não sabíamos o que estávamos dizendo, só sabíamos que amávamos, seja lá o que essa coisa de “amor” fosse. Quando cresci um pouco e, depois que percebi que não entendia o que isso significava, não mais escrevi cartõezinhos com corações. Passei, sim, a fazer bolos e quitutes para demonstrar o meu sentimento e gratidão para os meus pais e amigos, mas nunca mais mencionei a palavra “amor”. Até que, numa dada época, eu simplesmente soube que estava amando. Essa palavra esquecida, guardada no fundo da memória, surgiu repentinamente nos meus lábios. Aí eu comecei a (tentar) entender o Amor romântico.

Quatro anos depois, ainda não encontrei uma definição. Ainda não encontrei motivos. Adquiri um pouco de experiência, amadureci. Contudo, ainda me pergunto se realmente amo e/ou amei mesmo. Por fim, contento-me com o simples fato de haver Amor na minha vida. O sentimento está aqui, de qualquer maneira. Mesmo que eu ame amar mais do que o objeto amado ou ame mais o objeto amado do que o fato de estar amando, o Amor me preenche de alguma forma. E é isso o que importa.

Publicado em: às 01/05/2011 em 05:09  Comentários (2)  
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